segunda-feira, 18 de maio de 2009

Capítulo 1 - Os Primeiros Passos Dentro da Casa

Um certo dia, eu e minha melhor amiga Fernanda, resolvemos assim, por acaso, achar uns cães para o nosso futuro. Queríamos apenas saber preços, onde encontrar, essas coisas. Mas o que pra ela ainda era um sonho, pra mim parecia parte de minha vida já.
Ela tentou me alertar de todas as maneiras, pelos erros cometidos no passado (e coloca grande nesse erro). Mas não adiantou.
Conversei com meu namorado, Josenaldo, e por incrível que pareça ele também se empolgou. Empolgou-se tanto que foi até procurar sobre a raça, se era bom para o apartamento e tudo mais. Foi legal a empolgação dele. Foi o que me fez ter um surto momentâneo e querer um pra nós naquele momento. E eu encontrei. Só que era só para maio, e essa procura aconteceu em meados de abril.
Sexta-feira, 15/05/2009 - 18:45h
Parece que o apartamento é o maior do mundo, mas tem apenas 2 quartos, um banheiro, uma cozinha, sala de estar e de jantar e uma lavanderia.
Para os seres humanos, pequeno. Para uma filhote de Lhasa Apso, um mundo inteiro.
Conhecer esse mundo novo foi bem complicado, acredito eu.
O telefone toca. Meu coração já estava a mil por hora. Que ansiedade em vê-la. De saber como ela era. Tamanho, peso, cor, olhar. As expectativas foram muito bem recompensadas. Ela é linda.
Por todos os lados e poros que ela possui. Ela é linda.
Logo de ínicio chorou e estranhou tudo que tinha pra estranhar. Ficou totalmente arisca, mas também não era pra menos, estava sem os outros irmãos, que provavelmente a protegia de todos os "temores" de onde estavam. Aqui ela além de não ter proteção nenhuma, não imaginava quem eu era e porque estaria aqui. Lugar estranho, pessoa estranha.
Porém os horários foram passando e foi com eles um pouco do medo.
Descobriu o pote de água e de comida. Tomou alguns belos goles de água, mas não quis comer. Acho que toda a agitação da noite a deixou sem fome alguma, porém com muita sede.
Fiquei um pouco apreensiva por isso, mas tudo bem. É normal. É a mesma coisa quando se está comemorando o aniversário de 15 nosso. Você é a principal peça da festa, mas é a única pessoa de todo o salão que não come nada. A ansiedade da comemoração, da festa, da expectativa de quais amigos ainda virão e daqueles que estavam ali, deixa a fome de lado. Pra não dizer que não comi nada, comi um salgadinho.
Começou a querer conhecer alguns dos pontos onde estava. Acredito que pensou:"bem... provavelmente ficarei por aqui por um bom tempo. O negócio é analisar tudo com cuidado".
Dormir foi um sacrifício. Muito medo, muita luz. Era tudo muito.
E assim passou-se a primeira noite da Dafne em minha casa.
Logo pela manhã ela resolvou comer. Quando digo pela manhã, era manhã mesmo: 7:15h. Mas tudo bem. Eu não me importei. Para que comesse em paz e soubesse que eu não a deixaria, tive que ficar ao lado dela. Para que se sentisse segura e protegida. Comeu bastante, usufruiu do seu tapetinho higiênico e eu voltei pro meu quarto. Ela veio atrás. Aprendeu rapidinho a me seguir. Mas não sei ainda se ela ME segue ou se segue minha pantufas (que são de cachorro). As pantufas do meu namorado também são de cachorro e são as mais atacadas.
A confiança começou a estabelecer entre eu e ela, e isso começou a fazer mais sentido quando o Gustavo, a Mônica e Higor vieram aqui dar uma olhada nela e assistimos a um filme também.
Nesta noite, algumas aventuras pela madrugada (novamente fez-se o uso do seu tapetinho higiênico), mas dormimos mais tranquilas. Ela no cobertor, porque até agora não entendi o que tem na caminha que compramos pra ela que não a agrada, e eu na minha cama.
Manhã de domingo. Gelada e com gosto de mais uma vitória. No quarto, ela aprendeu que o tapetinho higiênico serve para o que ela elimina na noite e no dia. Aprendeu que todo mundo dorme de madrugada, e que não tem motivo pra ficar acordada sozinha sem ninguém pra brincar. Mesmo assim, ainda acordou duas vezes. Melhor do que na primeira noite que acordou pelo menos 5.
A vida tem seguido seu destino. E ela tem encontrado cada dia mais o seu espaço dentro do apartamento e na minha vida. Qualquer movimento que eu faço pra ela é uma grande oportunidade de uma brincadeira nova começar. Ela brinca com a comida, brinca com os palitinhos que eu dei, e com tudo que ela pode mover com a boca ou com as patinhas.
Ela já sabe um pouco do certo e do errado. Que eu deixe bem claro: UM POUCO. Mas acredito que esse pouco vai começar a aumentar com o tempo e a idade dela.
Segunda-feira, 18/05/2009 - 15:30h
Dificuldade imensa pra dar um comprimido de vermífugo para ela.
Não foi fácil, aliás nem sei se de fato ela comeu mesmo. Porque demorei duas horas pra dar um simples comprimido. Tudo bem. Não sei qual era o gosto, mas acredito que não era bom. Ficou na boca e depois ela cuspiu. E cuspiu. E cuspiu novamente.
Deixei que ela dormisse um pouco, e esquecesse por alguns momentos do remédio e do tal gosto ruim na boca. E tentei por mais uma vez. Nesta, uma parte pelo menos do comprimido se foi goela a baixo (quebrei o comprimido em dois pra ficar mais "fácil"). A segunda parte estava no potinho da ração. Aproveitei que ela foi tomar água, e olha que ela tomou água pra caramba, e dei o outro pedaço do remédio.
Ufa... pelo menos deu certo.
Eu sei que, remédio nunca é bom. Sempre tem um gosto horrível, mas não colocaborar com a pessoa que está dando o remédio traz consequências terríveis, pra quem está tomando lógico. Entendi o quanto difícil era pra minha mãe dar qualquer tipo de remédio para mim, mas principalmente Melhoral Infatil. Gosto hoooorrível.
A gente começa a perceber certas coisas que nossas mães passavam conosco. Claro... sem muita comparação, pois ela é uma cadelinha. Mas convenhamos que criancinhas e filhotinhos não falam e demoram a aprender as coisas. Bingo.

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